Não quero comportar-me

Ontem tive a debater um assunto com um amigo. Depois quando fui dormir apercebi-me de algo que nunca tinha entendido dessa forma.

 

Ou seja, vamos localizar-nos:

 

Um homem interessa-se por uma mulher. Mesmo que a mulher não lhe faculte muita abertura ele PODE insistir com ela. Pode mandar sms, pode dizer que gosta dela, pode enviar beijos e sei lá o que mais, fazer convites, etc.  É aceitável.

Agora invertamos os papéis.

 

Não conheço nenhuma mulher que faça isso. Nós limitamo-nos à espera. Ou seja esperamos que nos envie uma sms, esperamos que nos telefone, esperamos que nos convide. ESPERAMOS. E ai de nós se formos rebeldes e não seguirmos esse padrão estipulado. Quando por um momento invertemos os papeis,  verificamos que não existe “retorno”, “tocamo-nos” e desistimos. Porquê? Para não sermos consideradas fáceis, oferecidas, mulheres desesperadas, com falta de…. coiso e tal, sei lá –  montanhas de argumentos. Mas o mais eficaz é o de não se fazer. Não somos ensinadas a fazer isso. Somos ensinadas a aguardar. A esperar.

 

Somos ensinadas e admito, esperamos até que seja o homem a dar esses passos.

Nós, recatadas – aliás nem isso. Quanto mais rebeldes e difíceis formos mais interessantes somos como objecto de conquista.

Contradição das contradições. Mas é assim mesmo.

 

Mas o que mais choca? É efectivamente termos que fazer o papel que nos exigem.

Mesmo que nos apeteça abordar uma pessoa, sem grandes protagonismos e esperanças não o fazemos. Mesmo que seja para simplesmente ter alguém novo para falar com quem simpatizamos. Sem grandes ideias.

Porquê? Porque o homem tem logo medo de estarmos a invadir o seu espaço, de parecermos desesperadas, de sermos chatas, de estarmos a ser fáceis demais, de estarmos a procurar um marido, um pai ou sei lá o que.  E nós? Desistimos. Podemos fazer no máximo uma a duas investidas. E Depois? Retiramo-nos.

 

Sabendo que não queremos um marido, não queremos ter uma relação tradicional, não estarmos desesperadas para ter sexo. Simplesmente tb gostaria de ter o direito de poder ser eu a fazer o papel inverso quando e se apetece.

Acho que os homens ainda não entenderam que também existem mulheres que gostam da sua liberdade, do seu espaço, que nem têm tempo nem paciência para ainda adoptar um homem.

 

Cenário inverso :

O homem que insiste é intitulado de persistente (não de desesperado), de apaixonado (não de chato ou melga), de lutador (não de oferecido). Que lindo!!!!!!!

 

Nunca tinha pensado sobre este tema neste aspecto

Agora pensei sobre ele. Chego à conclusão que com tanta conversa sobre a emancipação da mulher e tal, estamos na mesma em muita coisa. Ok, isso até nem é grande novidade.

Aliás o meu argumento sempre foi: Eu não quero ter os mesmos direitos dos homens, mas sim os mesmos privilégios. E este seria uma deles.

 

E os homens ainda estão mais na mesma. Fazem as suas avaliações, suposições e protagonismos como há décadas atrás. Necessitam de ser predadores e conquistadores. Mesmo os que pensamos que são modernos.(Claro que existem raras excepções e é bom conhecer essas especies raras, especialmente uma)

Mas de resto – Fiquem com o vosso papel!

 

Mas eu irei ser muito mais exigente com esses papéis desempenhados. Façam-os então a rigor. Porque podem ter a certeza que também os farei.

Mas denoto que ando cansada deste jogo de gato e rato. Após tantos anos cansa. Os padrões são monótonos, cansativos, iguais = comprimidos para dormir. São aborrecidos.

Acordem. Deixem-me inverter papeis sem sentir-me estúpida e ridícula.

~ by sanamey on October 16, 2008.

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